segunda-feira, 13 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

Tudo esclarecido

De Alice Ruiz:

tudo esclarecido
entre as coisas
e os seus
sig
ni
ficados
o que se viveu
tá vivido
o assunto
virou passado
e o que passou

esquecido

entre as coisas esquecidas
estão as melhores lembranças
entre as coisas perdidas
estão os grandes achados

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O que me importa

A verdade

"Preciso separar o torto do direito, procurar a verdade, preciso que a verdade exista, mesmo que seja a verdade do meu mundo e do meu modo. Que não seja apenas coerência. Uma história que se feche, uma teoria que se prove, um discurso que se abra. Não falo de literatura, psicanálise ou filosofia. Todo fim é leve, por ser fim, e a leveza não tem sido meu caminho".

* Beatriz Bracher, em Azul e Dura.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Feriado pessoal


Neste feriado pessoal, tento aproveitar a falta de inquietação interpondo cochilos aos filmes de Almodóvar. Fui lá no começo, em 1978, na fase dos curtas, seguindo pelos quatro longas de estreia. Os dois primeiros trazem os ares da movida espanhola, movimento composto pela cultura alternativa, underground. Aqui, a extravagância está nas vestimentas, no cabelo, mas ainda faltam as cores e o humor já característicos.

Um melodrama e uma tragicomédia neorrealista depois, fiquei deliciado com os embriões que deram sentido a parte da filmografia amada por mim. Pelos rostos [Carmem Maura, Chus Lampreave, Marisa Paredes, Banderas], por algumas frases que estamparam películas seguintes, pelas músicas que tanto doem no coração.

O que segue até hoje, creio, é a acidez para tratar a humanidade. Uma criança de 11, 12 anos afirmando sua sexualidade, e praticando-a, se é que você me entende; outra de 14 anos traficando. Tudo tão natural e as vistas dos pais. Além disso, freiras adictas, incestos, masoquismo. Sem frases de efeito, sem moral de história. Uma vida como ela é – mesmo que nos recônditos.

Como ainda há tempo, lá vou eu seguir a maratona. Doses de Almodóvar na veia, sem precisar estar no submundo. E fazendo meu mundinho atual, recheado com um pouco de imagem, um pouco de leitura, uma pitada de calma e um desejo dilacerante de me satisfazer, mas sem me machucar.

* Imagem de Laberinto de Pasiones [1982]. Ao fundo, Banderas.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Pião

Nunca deixei cair. Ele roda, roda, roda. Fica no seu eixo, passeando por de outros. A velocidade é um mero detalhe. Pensa-se que as leves sensações de queda são, na verdade, o ponto de fim, de perda. Não. São momentos de descanso e de pequeno desleixo, sem que se esqueça a hora exata de aumentar o ritmo dos rodopios.

Roda, roda, roda. Uma brisa leve revigora a pele seca, cansada. E tudo volta a correr, correr, no ritmo frenético para a bela dança dos rodopios. E, assim, tudo continua nos eixos. Sem quedas, sem fissuras. Rodando.

domingo, 29 de agosto de 2010

Codinome


"não quer mais senão escrever teu nome.
E ainda que o cale meu sombrio amor
mais tarde o dirá a primavera".

* Pablo Neruda, XCVIII, em Cem Sonetos de Amor.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tom em tom

Tenho pensado muito em tons, nas minhas adaptações de acordo com os ambientes. Creio ter passado, em alguns momentos, de um silêncio discreto a um palavreado ácido e irônico. De um sentimentalismo exacerbado ao despreocupado falar despudorado.

Minha intenção, ou melhor, minha preocupação não é agradar. Talvez seja de ser inserido em novos contextos, experimentando sucos que podem ser doces. Alguns até são, mas já percebi que logo azedam. Outros são tão bons, mas não consigo me encaixar literalmente neles.

Penso nisso agora na vontade de encontrar o tom entre o não e a imposição singela. No desejo de ligar pontos sem sair de uma reta.

* Ler escutando Aquela, de Marisa Monte.

Liga e desliga

domingo, 22 de agosto de 2010

Abrazos rotos


Levei um bom tempo para ver o último filme de Almodóvar. Passado o turbilhão de motivos para isso, e imerso em um possível trabalho da pós, finalmente assisti à película. Precisei digerir por um tempo a história para decidir pelo gostei. Faltavam cores, núcleos secundários de personagens, surrealismo. Mas, de fato, apresenta o novo caminho que o espanhol vem galgando desde Fale com Ela.

A paixão exacerbada, a trilha sonora dita brega e as frases de efeito continuam. Contudo, os personagens femininos, aqui, dão lugar a um macho alfa onipresente – até o lado gay da história é recalcado.

A narrativa versa sobre a paixão de um diretor por uma atriz de seu filme, e os desdobramentos [ciúme, tragédias] que isso provoca. O tom é mais clássico, o figurino é impecável e Penélope continua estonteante como sempre. Delicioso também ver a homenagem feita a Mulheres à beira de um ataque de nervos. No fim, achei que a película funciona como uma homenagem ao universo recriado do autor e ao amor exacerbado dele pelo cinema. Singelo e bonito, em resumo.

sábado, 21 de agosto de 2010

Tempo


Preciso largar a mania de queimar etapas. Não segurar o choro se ele vier, esquecer o dia final da viagem quando ainda estamos no primeiro dia, deixar o receio profissional para quando ele realmente for necessário.

Aprender, também, que amor é uma construção, leva tempo para ser, às vezes mais ainda para deixar de ser. E que nada, nem ninguém, substitui uma ausência, a não ser a dor, substituída depois pela calmaria do tempo e pela cicatriz da lembrança.

domingo, 15 de agosto de 2010


"Ay! lo que estuvo tan cerca
sin que pudiéramos saber.
Ay! lo que no podía ser
cuando tal vez podía ser".

* Pablo Neruda, El tiempo que no se perdió, em El corazón amarillo.