segunda-feira, 11 de junho de 2012

A sinfonia parou por alguns minutos. E a música continuou a ecoar dentro dela.
Quando as palavras somem, o melhor a fazer é esboçar um leve sorriso.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

"A saudade é de verdade. Porque arde. É pimenta. A toda hora nos lembra como a vida é sem graça. E vazia. A saudade é um choque de realidade. É a nossa extrema agonia. Saudade é bom que se diga. Não dá poesia. Não inventa. Nada cria. Depois da pessoa amada. A saudade é a nossa melhor companhia".
Marcelino Freire

segunda-feira, 28 de maio de 2012


"Vivo com minhas obviedades e, enquanto escrevo, constato mais uma: a vida continua apesar de tudo, não para! [...] Somos geradores e vítimas de nossa história". (L.L.)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

sábado, 19 de maio de 2012

Todo lo que podríamos haber sido tú y yo se no fuéramos tú y yo



A gente teria uma trilha sonora extensa. Com um pouco-muito de Elis Regina, pitadas de cantores latinos, um pouco de samba conceitual, rock, pop, brega e os ritmos folclóricos descobertos na ida ao Peru, à Croácia, ao Japão. CDs pela casa aos montes, eu sempre reclamando que eles estão fora das caixas, arranhados. Você, sempre rindo, abrindo uma garrafa de vinho e mandando eu “deixar disso”, seguido de um abraço e o convite para mais uma sessão de música, dançada ou não.

A gente teria casado mesmo. Provavelmente sem pompa. Mas também nada íntimo demais. Tantos e tantos amigos. Não teria como. A ideia seria fazer na praia, mas o urbanismo e a comodidade levariam a celebração para um espaço aberto, arborizado, no meio do agito da grande metrópole. Um amigo em comum faria às vezes de padre, pastor e juiz. Eu choraria e, anos depois, ainda estaria reclamando das fotos, ou com a cara inchada, ou com cara de bêbado ou meio gordo, apesar dos quilos perdidos na preparação.

A gente teria duas televisões em casa. Quase nunca elas estariam ligadas ao mesmo tempo. Quando a escolha fosse sua, e eu não tivesse interesse, ficaria eu num misto de aperreio e dengo, fazendo comentários sem nexo, me chegando em busca de um abraço, cochilando depois dos afagos. Provavelmente, voltaria a acompanhar novelas, enquanto cozinhava – sem lavar os pratos, claro. No fim de semana, a da sala seria bem usada, nas reuniões com os amigos, que sempre acabariam com alguém dormindo no quarto de hóspedes. 

A gente brigaria pouco, sempre sem gritos – antes do esperado, você entenderia que eu odeio discutir em alto e péssimo som. As opiniões, normalmente, seriam divergentes. Mesmo assim, nos dividíamos para passar metade das férias no meu destino dos sonhos. Na outra, no seu. Nós estaríamos bem unidos e felizes em ambos os momentos, como mostraria as fotos espalhadas pelo corredor da casa.

Eu me acostumaria com as suas rugas de expressão – já que as de velhice teimariam em se esconder. Você entenderia o meu uso diário de cremes, mesmo que eles não funcionassem e eu começasse a transparecer a idade. Seria um charme, até, na sua opinião.

A gente, mesmo depois de tanto tempo, dormiria abraçado. O beijo ao acordar seria quase que nossa religião. Os olhos falariam cada palavra de amor nesses momentos. A gente seria tanta, mas tanta coisa, se a gente não fosse a gente. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Último segundo


Pois é, fica o dito e redito por não dito. Como se o ponto final fosse sinônimo de um vácuo. A seco. 

terça-feira, 17 de abril de 2012

Olha só

Não, não me parece de propósito. Lembro bem, desde a primeira vez, da expressão peculiar. Um sorriso meio meigo, meio bobo. Na falta de palavras, a boca se abre em um sorriso maior ainda, que já vai beirando um ar bobalhão, com um barulhinho mais bobo ainda. Mas de bobo, ali, não há nada - apesar da falha bem visível.

Engraçada essa intimidade com falta de, que provoca um vácuo nesses primeiros minutos de contemplação. Engraçado essa quebra de tempo. Engraçado o nome já próprio. Engraçado tudo parecer tão etéreo – e, quando menos se espera, tão sólido, vivaz, pro momento valer. Mas será que é próprio daquele futuro pré-combinado? Vejamos. Com os velhos, e nada combinados, sorrisos bobos e tudo.

sábado, 14 de abril de 2012

É complicado achar que tudo poderia ser refeito. Ter mais tempo para eternizar seus sorrisos, para perceber o quanto é bom acariciar os seus cabelos? Não, não tem volta. E lá se vão três anos de perda e saudades. Ainda bem que sobrou muito de você aqui.

sexta-feira, 30 de março de 2012

segunda-feira, 26 de março de 2012

Aquilo que meu olhar guardou pra você

- Adaptação livre.

É, vai, pode ir embora. Agora, aproveita e leva os cigarros, o cinzeiro, as cinzas e os vários isqueiros velhos que ficaram espalhados pela casa. Ah, não se esquece de tirar o carregador da tomada perto da nossa cama, já que tu não vives sem esse teu celular. Nesse mesmo cômodo, pega aquele desodorante que eu não gosto muito do cheiro, o shampoo de caspa e aquela minha bermuda que você adorava usar para dormir. Ela, realmente, veste bem melhor em tu.

Tira da geladeira os sucos feitos com soja, as cervejas importadas, o vinho barato. Leva os livros de filosofia, as coleções de DVD, os jornais e revistas velhos. Fica atento para levar o teu cheiro, tuas lembranças que ficaram espalhadas em mim. Tira aquele arranhão que deixei da última vez. Não, não o deixe, apenas o jogue no lixo.

É, pode levar tudo que for teu. Só peço que me deixe, por inteiro, aqui.

"Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também"


terça-feira, 13 de março de 2012

Repetindo, repetindo, repetindo, como num disco riscado, entalado na vitrola velha, sem uso, mas ainda lá.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Girando


Dias de silêncios insuportáveis. Dias de palavras viscerais. Que passam pela mente sem censura, que chegam à boca polidas, quase sem sentido. O coração diz, a mente completa verborragicamente, os lábios tolhem. Por isso, entre batuques, silêncios, agonias e pensamentos, fico com as palavras de outros. Marcelino Freire:

"Não dá para explicar. Nem para resumir. O tanto de mal-entendidos que percorre a vida do coitado do velho – refém da sorte e a caminho da morte. Os ruídos na comunicação, os diálogos que não dialogam. A falência múltipla de órgãos. Sistemas e pilhas. Ecos de um mundo assim, digamos, cada vez mais doente. E individualista. Quem escuta quem hoje em dia?".