terça-feira, 2 de novembro de 2010

"A pesar de todo, constituía casi un placer sufrir estos tormentos. Había vegetado tanto tiempo, ciego e insensible, y mi corazón había callado tanto tiempo, empobrecido y arriconado, que esta autoacusación, este horror, todo este sufrimiento espantoso del alma, eran un alivio. Eran al menos sentimientos, sentimientos ardientes en los que latía un corazón. Desconcertado, sentí en medio de la miseria algo así como una liberación y una nueva primavera".

Demian, de Hermann Hesse.

Agora é assim

Sempre optei pela simpatia. Não é falsidade, é tentativa de manter um clima saudável, ser aceito. Tenho meu jeito fechado. Ou bipolar, como escutei esta semana. Não faço cara de grandes amigos quando conheço, mas, principalmente de uns tempos para cá, tento não estar tão distante.

Perdi um pouco do medo do novo. Sobrevivo bem entre estranhos, mesmo com o silêncio. Venho fazendo o esforço pessoal de buscar a sociabilidade. Necessário para quem trabalha diariamente com o intuito de arrancar informações, novidades das pessoas. Foi uma tarefa árdua essa mudança de parâmetros. E uma tarefa mais do que necessária para as modificações que aqui borbulham.

Nesse viés, também busco exorcizar a mera simpatia para os que já mostraram não merecê-la. Sabe aquele lampejo de “só vou gostar de quem gosta de mim”? É mais ou menos isso. Ou vou continuar a gostar, mas mantendo a distância necessária para não me machucar. Porque já deu de levar tanta tapa na cara.

“...este meu breve texto seria apenas a confissão de uma emoção, a impressão de quem não sabe senão do gosto de converter a vida numa infinita escuta”. Mia Couto

segunda-feira, 1 de novembro de 2010


Daqui.

É, sempre tive

Sempre tive sorte.

Sorte de ter nascido em uma família de classe média. Não precisei estudar em escola pública, trabalhar antes do tempo, sentir fome real. Tive festas de aniversário, férias em praias, dinheiro para as saídas, base para fazer meu futuro. Casa grande e pequena, cachorro, jardim na sala, passarinho perto da janela, escritório, três salas ou sala para dois ambientes, quarto para três e quarto para um.

Passei no primeiro ano de vestibular, em uma faculdade pública. Consegui estágios remunerados, fiz três cursos de língua, sonhei com cinema, jornal, internet. Tive dinheiro para xerox, bares, comprar livros. Coca, chocolate e filme no cinema. Teatro e shows. Estava com roupa nova na colação de grau, e ganhei um jantar de comemoração para amigos e familiares.

Consegui meu primeiro emprego um dia após apresentar meu projeto de conclusão de curso. Apesar dos problemas no caminho, só fiquei desempregado durante quatro meses, por opção. Apesar de salários, em minha opinião, não condizentes que o ofício, consegui obter o suficiente para o sustento de quem ainda mora na casa dos pais. E poupei o possível vislumbrando um futuro.

Sempre fui amado. Ganhei beijos e dormi abraçado com os primos, independente do sexo – e sem frescura ao ler isso, por favor. Recebi declarações de amor rasgadas dos tios. Os primos, mais uma vez, sempre me exaltaram – os tios também. Em casa, apesar da distância com os irmãos, sempre houve respeito – tirando a fase de piralha, né! O apoio dos pais sempre existiu. A cumplicidade com a minha mãe ainda perdura.

Até amigos sempre tive. Posso não ter trazido os primeiros para os dias atuais, mas os tive. E venho garimpando uns tantos nos últimos anos, e guardando todos com as forças que tenho, sem sufocar. Limpando o quadro vez ou outra, embelezando-o mais. Sempre cheio de abraços, cheio de possibilidades quando preciso gritar – mesmo que seja o meu velho grito silencioso.

Namorei, errei, guardei bilhetes, deixei no fundo do armário lembranças, mantive contato, criei abuso, senti saudade. Respeitei, apesar de tudo. Sempre, ou quase, recebi o mesmo em troca. Nunca gritei. Quando gritaram, logo recebi um abraço forte com o pedido de desculpas. Não falei meus medos, tive muitas DRs, viajei, briguei, vi as séries preferidas, as músicas selecionadas com tanto carinho. Amei e não me arrependo disso.

Aí, eu me pergunto: tem motivo para ser triste?

[continua em breve]

"Cada pinheiro é lotado de andorinha
e o joão-de-barro adora o eucalipto"

sábado, 30 de outubro de 2010

Engenho, bagunças e outras alegrias...

Das pequenas alegrias, dos grandes esforços, dos caminhos e do arruma e desarruma.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

momento de voar

A hora é esta, Lucas: arriscar-se, atirar-se destemidamente na direção do novo. Ainda que muitas pessoas possam se apavorar e tentar lhe demover daquilo que sua alma interpreta como um novo impulso criativo, não se incomode. As pessoas falam porque estão viciadas em certezas e seguranças. Mas O Louco, arcano zero do Tarot, vem lembrar que, eventualmente, alguma loucura é mais do que bem-vinda! Ponha sua vida em movimento e lembre-se que é sempre momento de recomeçar. Evite o medo e não espere as coisas tomarem uma forma “certa” para agir. Vá!

Conselho: Momento de se atirar em novas direções, sem temor.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ah?


"Ainda é quando a vontade está no meio do caminho".

* Adriana Falcão, em Mania de Explicação.

domingo, 24 de outubro de 2010

- e o amor se agradece? ^^

- por formalidade! na verdade, se retribui.

sábado, 23 de outubro de 2010

A tristeza não me merece

Adoçando.

Motivos

Procurei
Uma “batida diferente”
Pra traduzir o que bate em meu peito
Ninguém melhor do que o samba
Pra batucar o que eu sinto
Pra você eu fiz esse disco
Pra você ouvir bater o meu jeito

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sem visto

Foram negados o abraço e o adeus. Fiquei com a bossa no som.

"And this old world is new world and a bold world for me".

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Brilha, brilha, estrelinha

É TEMPO DE BRILHAR!

O Sol é o arcano que tudo ilumina e, na posição de conselho para você neste momento, sugere que é chegada a hora de você jogar claramente e agir com o máximo de confiança possível. A luz afugenta a escuridão e tudo é visto da forma mais transparente, honesta e franca possível. Obviamente, muito do que aparece nem sempre é de todo agradável, mas ao menos você estará lidando com tudo de uma forma justa e, a partir de uma visão clara, Lucas, o que por si só já é uma prerrogativa de sucesso. A postura mais adequada ao momento é a direta e franca. Tenha confiança no seu taco pois, a partir desta confiança, tudo fluirá a contento!

Conselho: Momento de agir com confiança! Siga em frente!

"Para fazer sorrir O MAIS FORMOSO
Lavei com a língua os cascos
E as feridas. Sanguinolenta e viva
Esta do dorso
A cada dia se abre carmesim".

* Hilda Hilst, Mula de Deus, em Estar sendo. Ter sido.

suave coisa nenhuma


sábado, 16 de outubro de 2010

Meu erro

Lembro de uma cena de Má Educação. O padre e o antigo aluno. O primeiro rezando a missa. Entre as frases proferidas, “por mi culpa”, quando o outro rebate: “por tu culpa”. Um joga-joga de responsabilidades.

Eu, contudo, declaro minha culpa, minha inteira imersão nos fatos. Minha culpa no sentido de feitura e minha culpa no sentido de meu erro. Melhor assim, saber-se senhor dos seus passos, o mínimo que seja, com perdas, erros e danos.