segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mais tempo de delicadeza

“Aprendemos, então, que se ama diferente em cada idade. E a perícia maior na arte de amar é descobrir as sutilezas do amor que em cada idade o amor nos doa”.

Affonso Romano de Sant’Anna, O que aprendemos até agora, em Tempo de delicadeza.

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E uma foto.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feito pra acabar











(Ler escutando Feita pra acabar, de Marcelo Jeneci)

Este não foi um ano para retrospectivas – e nem me atrevo a criar expectativas ainda.

Este foi o ano do conhecimento, mesmo que do erro. Do permite-se, até depois do sol raiar. Do zelo, mesmo quando parecia não existir.

Este foi um ano de amar quem estava longe. Sentir saudade de quem tem um sorriso simples e um coração sem fim – mesmo que o mundo teime em tirar isso dele. Ficar triste com quem deveria alegrar e saber do valor dos momentos.

Foi um ano de trabalho – e de muita diversão com ele e com tudo e todos que eles, os trabalhos, trouxeram.

Apesar de tudo, ainda foi um ano de acreditar nas pessoas. Pelas reclamações recebidas, pelas preocupações, por saber que alguns laços não devem acabar – mesmo após algumas mancadas homéricas. Por ter feito novos laços, ter garimpado novas coisas lindas, ter recebido mensagens e apertos que não têm fim.

Por outro lado, foi um ano para saber o significado do desrespeito, mesmo digerindo os atos depois de tempos – ou não tanto assim. Um ano para saber que o amor se transforma, inclusive, no não-amar. Que é preciso tempo para digerir ações, e mais tempo ainda para ir colhendo o fruto disso tudo.

Este foi o ano do reconhecimento, pela pupila, pelo abraço, pelas mãos unidas durante o sono. Um ano que deu muito sofrimento pelas perdas, e muitos sonhos pelas perdas que se tornavam vindas e perdas e vindas de novo.

Este não foi um ano das maiores alegrias – apesar de ter como presente outras lindas alegrias na minha vida. Foi um ano de viver, gastar a sola do All Star até o último minuto – e sujá-lo bem muito, sem medo de manchá-lo, desbotá-lo.

E em 2011? Confesso que não quero repetir isso tudo. Foi bom, mas cansa. Não quero fazer pedidos, não quero esperar a vinda de nada, de ninguém. Só quero paz. Muita paz. Viver com ela já será um grande presente.

E que 2011 venha, com essa junção de uns que tanto gosto.

E que sejamos felizes até que os olhos mudem de cor, até o amanhã no qual tudo pode acontecer, esperando as luzes que são feitas para acabar, e que dentro da gente, fatalmente, nunca terão fim.

...

Para esperar 2011, ou já ir vivendo: Felicidade, também de Jeneci.


Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
Se chorar, chorar é vão porque os dias hão pra nunca mais.

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem.

Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Tudo, tudo

"E você, meu amor, meu tudo...". Ela não termina a frase. Chora. Queria agradecer ao companheiro de quase quatro décadas toda a dedicação, carinho, auxílio na construção do seu império. Não finalizou as palavras, mas demonstrou o que estava sentindo com um beijo.

Talvez um dia eu consiga um amor assim.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

#minha estante


Quer saber o que eu tenho na #minha estante? Vai lá no blog da Mari Leal e descobre!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Há o perigo de derramar lágrimas quando se deixa cativar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Autóctone


Ontem mesmo eu escrevi uma mensagem falando que o amor não precisa de proximidade física, de convivência diária, longa história. Há tempos que penso em escrever posts sobre pessoas. Para retribuir outros escritos, para retomar costumes de outrora. Fiz vários textos mentalmente, nada saiu para o papel – muita coisa tem se perdido aqui dentro, mas enfim.

Ontem, falei com Tiaguinho e bateu uma saudade danada. Da alegria, das piadas sem graça que fazem rir, das conversas despudoradas. Ele, sem dúvida, é um dos poucos que me deixa totalmente despreocupado em contar algumas histórias da vida. Quando vejo, já estou na parte dos detalhes sórdidos. E tudo flui, sem frescura nenhuma.

Em algum ontem da vida, a gente estava comprando refrigerante e chocolate para curtir um cineminha. Ou falando sobre as paqueras e aventuras – oi?. Em algum hoje, a gente relembra histórias e vez por outra se esbarra para novos capítulos. Só acho que a vida merece mais páginas, mais petit gateau no Castigliani, mais saídas – sem cobranças, mas com esperanças.

Tiaguinho vai ser sempre o máximo. E mesmo que fosse uma coisa terrível, jamais seria um amigo de se desperdiçar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

invista direito!

O 2 de Ouros emerge do Tarot como arcano conselheiro para este seu momento de vida, Lucas. A idéia aqui é clara: faça coisas diferentes, permita-se à mudança, compreenda a fase atual como interessante para toda e qualquer reciclagem. Aprimorar a si mesmo significa pôr-se em movimento e até mesmo gastar algum dinheiro com cursos, viagens ou coisas necessárias à dinamização da própria vida. Encare a si como seu próprio e mais importante investimento, Lucas. Procure administrar bem seu dinheiro, canalizando-o para algum investimento sólido e positivo, pois os resultados e retornos são favoráveis. É a partir de um melhor equilíbrio financeiro que todo o resto da sua vida se harmonizará mais, até mesmo áreas mais abstratas como a espiritual e a afetiva.

Conselho: Investir em si é um investimento seguro.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Vagamundo

Meu coração vagabundo, que perde a esperança de um dia ter tudo, mas que ainda será maior do que é. Meu coração já de adulto, cheio de lembranças de amores, de dores, de vultos que teimam em não deixar os meus sonhos em nuvens azuis. E os meus olhos, antes cheios de brilhos, estão mais opacos, mas ainda refletindo o que passou por aqui.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Que não seja a do seu olhar


"Dai-me uma dor que sirva para eu acordar".
"A pesar de todo, constituía casi un placer sufrir estos tormentos. Había vegetado tanto tiempo, ciego e insensible, y mi corazón había callado tanto tiempo, empobrecido y arriconado, que esta autoacusación, este horror, todo este sufrimiento espantoso del alma, eran un alivio. Eran al menos sentimientos, sentimientos ardientes en los que latía un corazón. Desconcertado, sentí en medio de la miseria algo así como una liberación y una nueva primavera".

Demian, de Hermann Hesse.

Agora é assim

Sempre optei pela simpatia. Não é falsidade, é tentativa de manter um clima saudável, ser aceito. Tenho meu jeito fechado. Ou bipolar, como escutei esta semana. Não faço cara de grandes amigos quando conheço, mas, principalmente de uns tempos para cá, tento não estar tão distante.

Perdi um pouco do medo do novo. Sobrevivo bem entre estranhos, mesmo com o silêncio. Venho fazendo o esforço pessoal de buscar a sociabilidade. Necessário para quem trabalha diariamente com o intuito de arrancar informações, novidades das pessoas. Foi uma tarefa árdua essa mudança de parâmetros. E uma tarefa mais do que necessária para as modificações que aqui borbulham.

Nesse viés, também busco exorcizar a mera simpatia para os que já mostraram não merecê-la. Sabe aquele lampejo de “só vou gostar de quem gosta de mim”? É mais ou menos isso. Ou vou continuar a gostar, mas mantendo a distância necessária para não me machucar. Porque já deu de levar tanta tapa na cara.

“...este meu breve texto seria apenas a confissão de uma emoção, a impressão de quem não sabe senão do gosto de converter a vida numa infinita escuta”. Mia Couto

segunda-feira, 1 de novembro de 2010


Daqui.

É, sempre tive

Sempre tive sorte.

Sorte de ter nascido em uma família de classe média. Não precisei estudar em escola pública, trabalhar antes do tempo, sentir fome real. Tive festas de aniversário, férias em praias, dinheiro para as saídas, base para fazer meu futuro. Casa grande e pequena, cachorro, jardim na sala, passarinho perto da janela, escritório, três salas ou sala para dois ambientes, quarto para três e quarto para um.

Passei no primeiro ano de vestibular, em uma faculdade pública. Consegui estágios remunerados, fiz três cursos de língua, sonhei com cinema, jornal, internet. Tive dinheiro para xerox, bares, comprar livros. Coca, chocolate e filme no cinema. Teatro e shows. Estava com roupa nova na colação de grau, e ganhei um jantar de comemoração para amigos e familiares.

Consegui meu primeiro emprego um dia após apresentar meu projeto de conclusão de curso. Apesar dos problemas no caminho, só fiquei desempregado durante quatro meses, por opção. Apesar de salários, em minha opinião, não condizentes que o ofício, consegui obter o suficiente para o sustento de quem ainda mora na casa dos pais. E poupei o possível vislumbrando um futuro.

Sempre fui amado. Ganhei beijos e dormi abraçado com os primos, independente do sexo – e sem frescura ao ler isso, por favor. Recebi declarações de amor rasgadas dos tios. Os primos, mais uma vez, sempre me exaltaram – os tios também. Em casa, apesar da distância com os irmãos, sempre houve respeito – tirando a fase de piralha, né! O apoio dos pais sempre existiu. A cumplicidade com a minha mãe ainda perdura.

Até amigos sempre tive. Posso não ter trazido os primeiros para os dias atuais, mas os tive. E venho garimpando uns tantos nos últimos anos, e guardando todos com as forças que tenho, sem sufocar. Limpando o quadro vez ou outra, embelezando-o mais. Sempre cheio de abraços, cheio de possibilidades quando preciso gritar – mesmo que seja o meu velho grito silencioso.

Namorei, errei, guardei bilhetes, deixei no fundo do armário lembranças, mantive contato, criei abuso, senti saudade. Respeitei, apesar de tudo. Sempre, ou quase, recebi o mesmo em troca. Nunca gritei. Quando gritaram, logo recebi um abraço forte com o pedido de desculpas. Não falei meus medos, tive muitas DRs, viajei, briguei, vi as séries preferidas, as músicas selecionadas com tanto carinho. Amei e não me arrependo disso.

Aí, eu me pergunto: tem motivo para ser triste?

[continua em breve]

"Cada pinheiro é lotado de andorinha
e o joão-de-barro adora o eucalipto"