A música de Drexler diz assim, que uma série de ações gera um outro par, provavelmente em consonância. E é? É. Se a gente pensar que o suco de abacaxi é o par do fruto processado no liquidificador, tudo bem. Mas e a raiva? Se a gente triturar ela vira um par bom? E o amor, sempre se transforma mesmo em outro amor?
Nas últimas semanas, tenho passado por rompantes de lembranças permeadas por períodos de esquecimento. Ainda agora, quando te vi, tive uma sensação crua, de interrogação. Um quase nulo amor eterno. É, meus dias têm sido assim. Coisas de geminianos.
Agora mesmo, esqueci de tudo. O rompante de tristeza passa, fica a sensação de sossego. Texto incongruente. Shake de amor. Uó. Mais do mesmo.
"Não me escondo do medo de não me reerguer
Do silêncio de uma vida sem você
De tudo o que faltou ser"
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Sou surpreendido quase que diariamente por fatos que me tocam - para o bem ou para o mal. A ligação que a gente não esperava e que nos deixa com um sorriso bobo e sem palavras para exemplificar a alegria daqui para quem está do outro lado da linha. Por outro ângulo, as frases monossilábicas e as atitudes sem sentido de quem você menos espera - e por situações que não valem a pena pensar.
Mais uma vez, hoje, me perguntaram se estou no inferno astral. Respondo que não. Acho que estou sempre entre os sabores e dissabores de quem sente demais - e o tempo todo.
Aí, hoje, quase que sem querer, a música tocou na rádio. É, aquela que escrevi pra tu, logo no começo. Acho que entreguei em mãos. Busquei agora e vi que também mandei por e-mail – não perco essa mania de querer deixar tudo eternizado. Pois então, tocou. Coisa boa, né? Lembrei de um tempo, lembrei de você, mas só as partes legais. Bom assim, né? Quando a música ainda significa aquilo e ganha novos contornos. Quando você ainda consegue estar em mim assim, em formato de amor sincero, do jeito que o momento pede.
Até eu canso de repetições. Vim para casa maquinando umas frases, e lembrei que já as tinha escrito alguma vez, em algum dos blogs. Palavras outras. Sentido igual. Mas se esse é o caminho libertário, mesmo que temporariamente, lá vamos nós: escrever.
Escrever do que dói, incomoda. Daquilo que a gente teima em acreditar, mas que, incansavelmente, traz mostras de pouca valia. Pessoas, por exemplo. Poderia eu ter menos confiança? Entregar na medida do tempo, na medida das ações e da história?
Não. Sempre creio no melhor. Que os erros podem tomar contornos coloridos e se esvaírem. Calma, Lucas, calma. Repito. Mas sempre abro os braços. Às vezes, caio e não há o que segure.
A tristeza, nesses casos de decepção, agora ganha um contorno de raiva. Não sei qual o melhor sentimento, mas sinto que a dor passa menos tempo dessa forma. Se é assim, mesmo que soe egoísta, que seja.
Falando nisso, lembrei agora de um texto da época da faculdade. Cadeira de fotografia. Escolho a preferida da infância. Sorriso sóbrio, olhos arregalados. Um brilho que, até hoje, quero ter novamente. Inocência, de quem acha que só existe sonho, amor. Aí, vive-se, cai, perde-se um pouco do brilho. Pensa-se em esquecê-lo, deixar de ser o que era e ser o que se é.
Mas não. Ainda quero aquele brilho. Não, ele não voltará, mas fico satisfeito com seu simples contorno, com uma cópia menos colorida. Que ele fique cinza com as decepções, com os dissabores da vida. Mas que ele mostre pitadas de esperança, nem que seja de vê-lo brilhar outra vez.
Eu sou do tipo que passa muito tempo maturando informações. Sou capaz de lembrar frases de e-mails escritos/recebidos há metade de uma década. Às vezes, o fato não faz mais nem sentido, não há mais ligação nenhuma entre os interlocutores, mas fico pensando e criando situações para “resolver” a questão.
Uso muito o “se”. Sou paciente, apesar de taxado como instável – acho que é uma questão de saber envolver. Hoje, perco a paciência fácil. O mesmo acontece para pegar abuso de pessoas. Aprendi a mostrar mais minhas emoções ruins: ser chato, dar fora, não engolir certos desaforos.
Escuto, há algum tempo, um conselho, e teimo em me fazer de rogado. Semana passada, escutei novamente, de quem nem conhecia. Chegada a hora de deixar de ser? É. Hora de deixar a estrada escolher seus outros rumos – mesmo sentindo que alguns esforços continuam sendo como se estivesse em uma batalha entre dois mundos.
Oficialmente, eu já estaria no meu inferno astral. Acho que já o tive tanto este ano. Agora, mesclo minha bipolaridade, mas, especificamente há uma semana, teimo em sorrir, apesar dos problemas, dos entraves, dos desenlaces. Hora de sorrir? Sim, verdade. Fácil? Não mesmo. Mas preciso abrir as portas para os bons ventos entrarem. E fechar as janelas para evitar que a poeira volte a inebriar.
Passei o dia com palavras na cabeça. Foi só sentar aqui, veio o nó. Inventei de lembrar da última vez que nos vimos. Não teve troca de olhares. Só ela de costas, meu beijo na sua cabeça, as mãos acariciando rapidamente os cabelos lisos e grisalhos. Uma semana depois, a beijei, alisei seu cabelo, mas ela não podia mais me chamar de Lulu. Ainda bem que eu continuo podendo ser o Lulu dela.
Alzira, minha velha ou qualquer codinome que nos unisse fez as tardes da minha infância serem recheadas com vitamina de banana, tapioca feita na hora, dida chupada na calçada, para interagir com o povo da rua. Teve uma filha, criou mais um casal (minha mãe, inclusive, que, na verdade, é sobrinha). Sete netos, um bisneto. Nada de muita frescura, o carinho era do jeito dela. E todos brigavam para dormir com ela na cama de casal. Sempre.
Talvez ela seja a saudade que mais dói por aqui, dentre tantas e tantas. Um pouquinho mais sabendo que amanhã [hoje] seria de comemorar nova idade. O único choro consciente que ainda se abre no peito, no momento. E a vontade imensa de poder dizer um último (será que eu disse alguma vez?) eu te amo. Chamar de Velha, Zira, Mãe. E escutar o grito que era meu, só meu. Lulu.
Eu sou assim – apesar do incômodo que isso gera. Uma manhã e tarde de melancolia. Tristeza, até, depois de uma semana todo alegre, saltitante, esperançoso. Aí recebo boas novas de duas pessoas que merecem cada segundinho de felicidade. Isso, de certa forma, muda o meu humor. Sai essa tristeza/melancolia, fica um rapaz um pouco silencioso, mas levemente feliz e esperançoso pela felicidade alheia – e para que chegue seu momento de ser mais pleno (porque nem tudo é um mar de problemas, né!).
E entre um gole e outro, uma lembrança e outra, uma saudade e outra, vamos construindo um castelo bem irregular. Mas que, apesar dos percalços, me deixa orgulhoso. Porque também é bonito exibir cicatrizes. A cicatrização também.
Talvez esse fosse o grande problema: sempre esperar algo no dia seguinte. Nem que fosse a percepção de que o dia anterior de nada valera.
Há quatro anos, aprendi que se ama incondicionalmente mesmo sem conhecer o ser amado. Quatro anos depois, felizmente, tive a certeza do amor em um abraço de chegada, e num sorriso que reluz vida. Certeza também que existe amor que não pede nada, só existe.
Aprendi também que é possível amar de uma forma meio bronca. Sem nenhuma palavra de afeto, sem nenhum contato que possa parecer mais íntimo. Apenas pelo dia a dia, por uma conversa sorrateira, por um cuidado que parece não ser, por quase nada. Só por parecer um amor invisível.
Aprendi que o amor pode ser complicado. Achar que é isso, depois aquilo, depois nenhuma das duas coisas: um misto. Às vezes assim, nos dias pares; às vezes assado, nos dias de tormenta. E mesmo confuso, mesmo cuidadoso, entre mãos entrelaçadas ou não, continuar amando.
Entendi que se erra muito amando. Se perde muito no caminho do amor. Mas, do nada, numa viela estreita, o amor se mostra de novo, outro, renovado, dando até vontade de dizer que se ama, de boca cheia mesmo – amor gordo –, mesmo que o ideal não seja dizer isso. Mas se diz, num gesto, num comentário simples, no silêncio demorado do olhar na hora da despedida.
Aprendi que o amor se preocupa, cuida ao seu modo, mesmo parecendo o modo incerto. O amor se revela na intimidade, na associação que se faz de tudo com o amado, da saudade que chega depois de 20 minutos da presença.
Se ama de tanto jeito, o tempo todo. Se desama também, mas disso não quero falar. Só quero falar que se ama, agora tentando não pedir mudanças, sem cobrar, talvez ainda sem se abrir totalmente. Mas deixando amar, e amar, e ver o que o amor pode trazer. De qualquer um dos amores. Do meu amor, principalmente.
"Mente ao meu coração
Mentiras cor-de-rosa
Que as mentiras de amor
Não deixam cicatrizes
E tu és a mentira mais gostosa
De todas as mentiras que tu dizes"
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Revirar as gavetas do tempo só traz: saudade e um leve coçar do nariz. Deve ser a poeira.
Ser pela metade não dá. Gosto da alma completa, conversas sem cortes, olhos que preferem não mentir.
Já tentei ser menos por inteiro, não entregar o jogo rapidamente. Mas isso não sou. Se gosto, me derreto, me confio ao outro – e daí saíram tantas decepções.
Hoje, tento enumerar o que me falta nos outros. Tento desvendar as falsas amizades complexas, redondas. Incomoda vislumbrar a verdade, mas conforta saber exatamente o patamar exato das coisas.